Pular para o conteúdo principal

A casa de vidro

MULHER COM VIDRO QUEBRADO

Ela não permitia invasões por isso ergueu um muro sólido e com cercas elétricas. A impenetrabilidade era sua maior arma. - Aqui nada entra sem permissão e só sai o que eu desejar.

Na vizinhança haviam propriedades de muros baixos, outras apenas protegidas por uma frágil e ornamental cerca de flores, haviam também as que eram totalmente abertas, apenas um gramado na frente da porta principal, como se fosse um tapete de boas vindas para qualquer pessoa sentir-se convidada a entrar.

Ela sentia-se indignada com tamanha falta de precaução e ingenuidade daquelas pessoas, em sua concepção era um erro fatal deixar-se vulnerável, era como ser ostra fora da concha, guerreiro sem armadura. Quanta burrice!

Observava de sua janela, lá no alto, onde tudo podia assistir, pessoas entrando e saindo das casas vizinhas, uns entravam alegres e saiam gargalhando, outros entravam tristes e saiam sorrindo, as mesmas pessoas e pessoas estranhas. Tanta gente… Ela ali no seu mundo, sozinha, apreciava sua solidão e seu silêncio. Podia ver também que ao passarem por sua casa, as pessoas olhavam o muro alto e se afastavam, não apreciavam com o mesmo olhar que dedicavam às outras casas. Sentiu uma ponta tristeza, mas ainda sim preferia manter a aparência sóbria e lúgubre daquela fachada porque lá dentro tudo era feito de vidro.

assinatura

 

Comentários

  1. Eu ainda quero presenciar, esses muros ao chão.. você correndo no jardim de gramado baixo, com o coração em paz, sorrindo pros céus...
    Mesmo sem esperar, mesmo sem querer .
    Possuindo tudo aquilo que merece, depois de tantos cacos de vidro, uma nuvem aconchegante e segura, para que possa descansar.

    ResponderExcluir
  2. Queria também ver esses muros ruindo para mostrar toda beleza que a transparência do vidro oferece e assim encantar-me ainda mais.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Suspiros...

Pois é... faz um tempão que não escrevo aqui, quase não mais reconheço aquela mulher de mente inquieta que postava diariamente textos fortes por aqui, mas honestamente, não sinto saudade daquela fase e nem daquela mulher, pois a época em que mais escrevia era a época em que eu menos me encontrava, uma fase em que eu andava fora do eixo! E por incrível que pareça, aquelas épocas tempestivas me enchiam a mente e era escrevendo que eu desabafava e tentava ao mesmo tempo achar em mim algo que fizesse sentido. Quando a gente está feliz escreve menos, é fato. Eu acho que a felicidade requer da gente tanto movimento diante da vida que não sobra tempo para textos reflexivos e profundos. Os maiores escritores e poetas são os mais solitários e menos felizes? Talvez, tenho pensado a respeito, quando ser feliz me dá tempo para isso...rs Hoje minha fase é de paz, de compartilhar momentos com pessoas especiais, de curtir o sabor do dia a dia ao lado de um grande amor, o tão sonhado e espera...

Nas teias

Ainda envolta nas teias do meu pensamento… Esse emaranhado tão bem traçado que eu sei, quer me levar para algum lugar, mostrar alguma direção. É mistério. Eu espero. Sinto. Ouço. Duvido. Chove quase sempre, é noite. Meu horizonte vazio, somente enxergo essas teias e tento encontrar a lógica. Não quero o meio de nada, procuro as extremidades. O centro me puxa como um imã  atrai  metal. Fujo. Esforço-me. Ainda não cansei. Estar no meio é ser alvo fácil. É morte. Sou a vida tentando escapar da armadilha. Drika Gomes

Momentos

  Eu pedi aquele instante atravessado na garganta e quase sem medo vi que nada mais era tão simples, mas os sonhos têm essa coisa deslizante que lubrifica todas as ranhuras, rachaduras e alisa as farpas, são eles, os sonhos, que me permitem acordar. Drika Gomes