Pular para o conteúdo principal

Sobre o amor

 

menina1

Sempre achei que o amor fosse como uma linda rosa de cristal. Um objeto para ser admirado, protegido e guardado. De tão delicado ser algo que até sentimos medo de tocar, pois qualquer movimento mais brusco ou desastroso poderia destruí-lo, mas como poder desfrutar e viver um amor de maneira tão meticulosa? Controlando os gestos, o tomando na mão com tanto zelo ou então apenas o observando de longe como se fosse uma estrela? Para amar precisamos ser naturais, é preciso que tenhamos com o amor uma intimidade tal como a menina tem com sua boneca preferida e o menino com sua bola de futebol. Amar é ter proximidade, é pegar, mexer, jogar pro alto, mudar de lugar, guardar no bolso, esconder no armário, levar para passear. É só assim que a gente ama, às vezes a boneca quebra um braço ou uma perna de tanto que brincamos com ela, a roupinha se rasga, a boneca se suja e a menina troca a roupinha dela, coloca o braço no lugar e no dia seguinte vai brincar com ela denovo. A bola fica arranhada e encardida,  o menino a lava e deixa no sol para secar, no dia seguinte, no final da tarde lá está a bola toda destroçada. O brinquedo mais amado de uma criança é aquele com que ela mais brinca? O vestido que uma mulher mais adora é aquele que ela deixa pendurado no guarda-roupas e fica olhando para ele todas as noites? O amor não é um objeto nem um brinquedo, mas é para ser vivido, sentido, tocado e saboreado. Só sabemos a real experiência de amar quando nos permitimos deixar de olhar para aquele cristal frágil e tomamos o amor nas mãos como se ele fosse aquele  brinquedo preferido da nossa infância.

Drika Gomes

 

Comentários

  1. Pergunta sem resposta.
    Sentada no seu quarto, ela começa a perguntar:

    - Qual é a cor da solidão?


    Monique Targino

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Nas teias

Ainda envolta nas teias do meu pensamento… Esse emaranhado tão bem traçado que eu sei, quer me levar para algum lugar, mostrar alguma direção. É mistério. Eu espero. Sinto. Ouço. Duvido. Chove quase sempre, é noite. Meu horizonte vazio, somente enxergo essas teias e tento encontrar a lógica. Não quero o meio de nada, procuro as extremidades. O centro me puxa como um imã  atrai  metal. Fujo. Esforço-me. Ainda não cansei. Estar no meio é ser alvo fácil. É morte. Sou a vida tentando escapar da armadilha. Drika Gomes

A vida é um doce, vida é mel!

  Vem correr, brincar, pegar na mão, tomar sorvete debaixo da chuva! Se jogar na areia, sujar a cara, pular na onda, dar cambalhota! Vem, mascar chiclete, enxer bexiga, espantar os pombos, colher flores no mato! Alcançar borboletas, chutar no gol, atirar a peteca, plantar bananeira! Vem, olhar para o céu, contar estrelas, adivinhar nuvens, fazer palavras cruzadas, falar bobagem! Assistir desenho animado, lamber a travessa do bolo. Dar  gargalhadas! Vem, dançar desajeitado, rolar pelo chão, se lambuzar de macarrão! Vem, beijar na boca chupando bala, fazer cócegas e deixar a cama bagunçada! Tirar uma soneca no meio da tarde, comer pizza, tomar vinho, andar pelado e fazer de conta que os adultos foram pro espaço! Vem ser criança! Drika Gomes

A doce leveza do ser

Ser feliz realmente é uma escolha. Enquanto uns escolhem as lágrimas de viver em dores passadas, remoer antigas mágoas, outros preferem enxergar o céu azul que aparece todos os dias e acreditar que o melhor sempre vem. É simples assim. Quem sonha, acredita em surpresas boas, espera da vida uma magia que a mente não sabe compreender, mas que o coração sente. Tudo se transforma a todo momento, nada do que é hoje continuará sendo no futuro, mas o que há de vir não quer te contrariar, por isso quem espera borboletas coloridas sobrevoando os espaços, certamente as encontrará logo a frente, bem na curva, naquele momento mágico em que as expectativas sorriem. Felicidade é um estado de alma que até mesmo quando estamos diante de algum momento muito difícil e triste, ela está lá, bem no fundo do peito dizendo suavemente: "Tudo vai acabar bem." Prefiro acreditar em estrelas cadentes, duendes e fadas, num universo extraordinário que existe por trás das cortinas da nossa ...